Um risco muitas vezes ignorado em nossos projetos é o de não alinhar expectativas adequadamente com os stakeholders devido aos pressupostos. Quando pressupomos saber a respeito de algo e já ter o domínio do assunto, nossa mente passa de imediato a trazer da memória as experiências anteriores e a imaginar como reaplica-las, enquanto estamos perdendo valiosas informações que o nosso interlocutor está passando, que podem significar mudanças em relação às situações já vividas que farão a diferença na satisfação da entrega final.

Um hábito a desenvolver é a escuta ativa, tão falada na área de coaching, que, basicamente, é prestar total atenção à linguagem verbal e não verbal de quem se comunica conosco, estar atento a palavras, entonação e gestos. Estar consciente daquilo que nos está sendo dito, e não pensando no que vamos responder; manter a mente aberta, sem julgamentos ou conclusões precipitadas; tentar visualizar o que a pessoa está dizendo e, quando ela fizer uma pausa, fazer perguntas que validem o entendimento até aquele ponto; exercitar a empatia – colocar-se no lugar da outra pessoa para entender a extensão e o impacto da situação relatada no cotidiano dela.

Uma competência um tanto incomum e incompreendida que se deve desenvolver para evitar o risco dos pressupostos é a humildade, ou se alguém preferir, a autocrítica. Sim, num mundo em constante mudança, em que temos que estar sempre aprendendo, toda vez que pensamos que já sabemos tudo sobre um assunto, deixamos passar o novo e nos tornamos rapidamente obsoletos.

Um erro frequente é a generalização. Toda vez que se generaliza algo e o enquadra num grande grupo, passa-se a tratar de forma igual coisas que são diferentes. O pessimista normalmente é um generalista: “isso nunca dá certo”, “isso sempre acaba em problema”, “nunca enfrentamos algo assim”... É necessário especificar, detalhar, compreender, para poder de uma forma objetiva tratar caso a caso, com a importância e a necessidade especial de cada situação.

Nesse ponto, precisamos nos atentar se estamos condicionados por crenças limitantes, que são ideias ou pensamentos “automáticos” que dirigem nossas respostas a determinadas situações, fazendo com que não alcancemos o resultado esperado. É importante procurar identificar que pensamentos nos fazem autoboicotar alguma situação somente pela prévia “certeza” de que algo não vai se concretizar, ou vai dar errado. Isso não é tarefa fácil e, frequentemente, requer terapia ou coaching para ajudar o indivíduo no autoconhecimento.

Ainda nessa linha, é importante estar atento às reações das pessoas envolvidas em mudanças promovidas pelo projeto. Muitas vezes, quem fica reticente ou contra as novidades não necessariamente é alguém que está boicotando conscientemente a atividade proposta. Frequentemente a reação contrária esconde um pedido de socorro de quem está inseguro ou não conseguindo se adaptar e entender as novidades. Talvez uma mudança de abordagem da gestão possa corrigir essa postura e trazer a pessoa de volta para o jogo.

Enfim, como quase tudo na vida, evitar pressupostos passa por uma boa comunicação!

Autor: Antonio Pasa
05 de julho de 2017